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foi assim ou eu sonhei?

foi mais uma noite de sonho n’Aldeia.

as conversas que antecederam o sábado eram confusas, havia os que acreditavam na vitória e os que acreditavam num grande jogo, em que tudo podia acontecer. ninguém duvidava do valor dos miúdos, mas também todos sabiam o valor que chegava de itália.

eu estive até às 19h a decidir se ia fotografar ou simplesmente ver o jogo. acabei por decidir ver o jogo, afinal era o último que via ao vivo antes de voltar ao hemisfério sul e desde 20 de Dezembro, quando voltei a Portugal, ainda não tinha tido um jogo que me enchesse a alma. a esperança era de que este fosse o tal.

cheguei ao pavilhão às 20:15h e recebi logo uma mensagem do Armando que já estava lá dentro “a bancada central já está composta”. apressei-me a chamar a Kuka e fomos.

e estava. às 20:20h entrei e estava assim.

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entrei, arranjei um canto para me sentar e fui pondo a conversa em dia com quem por lá estava, afinal ir ao hóquei também é isso: rever amigos!

antes de começar o jogo, um momento alto: 6 dos atletas da primeira equipa de hóquei do HCT entraram em campo e foram ovacionados de pé por todos os presentes, afinal se não fossem eles há 50 anos, hoje não estaríamos aqui!

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e logo depois a emoção continuou, com a Portuguesa a ser cantada pelos 2000 BdQ presentes.

começou o jogo e começámos a perder 0-1 logo nos primeiros 10s. com o 1-1 do Passos, acreditámos todos. ouvia-se na bancada “eles já marcaram o golo de honra, agora já podemos ganhar!”. o ambiente era de festa e sem grandes pressões e nervos. e o resultado foi aumentando para os italianos até ao 1-3.

ainda pulámos todos de alegria antes do intervalo com o 2-3 do Vasco e fomos para o descanso com algumas certezas: grande jogo, bom hóquei, bom ambiente e um espectáculo de promoção da modalidade como Turquel nos tem habituado!

na 2ª parte, com o 3-3 do Tiago os nervos avolumaram-se. com as defesas do Marco, a ansiedade cresceu. e a esperança em discutir até ao último segundo o jogo transformou-se em certeza. lembro-me de olhar para as faltas, e ver que tínhamos 9, e ter comentado com a Kuka “dava mesmo jeito um golo agora”. depois disso, só me lembro de pular e gritar. o Tiago tinha acabado de fazer o 4-3!

os últimos minutos foram passados a festejar as defesas do Marco, a gritar e a rezar às outras religiões cada vez que atacávamos. até que o Passos passa por um, passa por outro e cai. pouco menos de 10s para jogar e o Tiago lá estava com a bola na marca de grande penalidade. não me recordo do resto. só de ouvir a Kuka dizer “Catarina, preciso de te agarrar?”. estava feito o 5-3, a euforia via-se em todos os rostos, a vitória estava assegurada e as memórias construídas.

o árbitro apitou para o final, e ouviram-se 2000 pessoas a uma só voz em mais um tributo, desta feita a Marco Barros. merecido, muito merecido!

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depois dos aplausos merecidos aos adversários e da ovação aos nossos miúdos, as pessoas ficaram por ali. conversavam, festejavam, sorriam. os miúdos saíram. voltaram alguns minutos depois para o “arrefecimento” e foram novamente aplaudidos.

ser d’Aldeia é isto. é agradecer o que eles nos dão e devolver-lhes tudo isso em apoio. é construir memórias com o que eles fazem, e nos fazem sentir, e devolver-lhes acontecimentos e sentires para as memórias deles.

não sei o que vai acontecer em itália, mas tenho a certeza de que, como nós este ano, antes desta jornada europeia, fomos recuperar um dos melhores jogos de sempre em Turquel (HCT x Viaregio), daqui a 20 anos terão que ver este jogo também!

(e sim, este foi o jogo que me encheu a alma)

Somos BdQ. Somos d’Aldeia!