Histórias & Estórias

seis anos depois… deixem-nos sonhar!

Faltam três dias para recomeçar a rotina, a paixão, as alegrias, as tristezas: Sábado arranca o Campeonato Nacional da 1ª divisão com a recepção à Sanjoanense.

E mesmo daqui, a 7000Km de distância, isto desperta-me memórias e relembra-me uma época especial e memorável.

2007/08 terminou com a corajosa decisão da direcção de mudar o piso e terminar com aquele tormento de nunca sabermos se conseguíamos terminar um jogo durante os meses de inverno (confesso que morro de saudades daqueles mosaicos brancos onde tantas vezes cai).

Nós não sabíamos o que nos esperava a 5 de Outubro de 2008 quando foi inaugurado o novo piso com a primeira jornada do Campeonato Nacional da 2ª divisão, Zona Norte.

Foram mais de 500 os adeptos que se deslocaram ao pavilhão para ver o piso novo. Deduzo eu que era esse o objectivo (3 meses antes não éramos mais de 50 nas bancadas), mas já que lá estavam aproveitaram e viram os miúdos. E os miúdos estavam endiabrados, com bom hóquei e uma alegria contagiante que lhes chegava das bancadas, convenceram os 500 que lá estavam. E  todos eles aplaudiram de pé a equipa pela conquista da vitória frente à Sanjoanense e regressaram duas semanas depois. E voltaram a regressar ao longo de toda a época, sempre com mais um amigo. Chegámos a ser perto de 2000 por mais do que uma vez, em jogos de 2ª Divisão!

2008/09 foi uma época brutal!

Foi a época em que recuperámos o epíteto de Aldeia e Capital do Hóquei, em que voltámos a transformar o nosso pavilhão no inferno alvinegro com casa cheia todas as semanas (aquela recepção ao Espinho arrepia).

Foi a época em que voltámos às excursões e apoio fora de portas (perguntem a qualquer jogador a sensação que viveu naquela deslocação a São João da Madeira)

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Excertos do texto de agradecimento da equipa Sénior HCT após a deslocação a São João da Madeira (HCT.pt) 

Em que a equipa voltou a aproximar-se do seu público: dentro de rinque procuram sempre os adeptos para festejar golos e fora de rinque sempre muito presentes.

Mas também foi uma época de mudança: bilheteira grátis e piso novo, a HCTv começou a dar os primeiros passos e as vitórias eram mais do que as derrotas.

Sonhámos tanto. Chorámos um pouco. Festejámos muito. 

Para mim, começar uma época com a recepção à Sanjoanense é sinónimo de sucesso bom hóquei (caramba, lembram-se daquele jogo em Tomar?).

Sinónimo de cumplicidade, família, alegria e tristeza (e aquele último jogo com o PA em que era impossível perceber a fronteira entre a alegria e a tristeza?).

É sinónimo de que mesmo sem termos feito promessas cumprimos diariamente, semanalmente, com dois dos mais elementares valores de uma comunidade:
Partilhamos e apoiamo-nos, quaisquer que sejam as circunstâncias.

Sábado começa 2014/15 e recomeçam os sonhos. Deixem-nos sonhar.

Somos BdQ. Somos d’Aldeia!

a estreia na CERS

Ainda hoje se fala desse jogo como o mais emblemático do Clube” é assim que o histórico número 7 do HCT, Horácio Honório, se refere ao primeiro jogo da Taça CERS realizado em Turquel, na 2ª mão dos 16 avos da edição 1992/93, frente aos italianos do Viareggio.

e a verdade é que é assim que todos recordamos esse jogo, dentro e fora de rinque. e por isso, para que nós o possamos rever e para que outros o possam ver pela primeira vez, e porque vale a pena, Pedro Rodrigues, um dos protagonistas da época, disponibilizou-o na internet.

1h37m de emoções.

na edição de ontem (pode ler aqui em PDF), o Jornal de Leiria recorda a estreia na Taça CERS com Horácio Honório e projecta esta nova participação com André Luís. o Capitão deixa o desafio a quem nunca viu:

«Acreditamos que vamos ter pavilhão cheio, mas deixo um conselho: se nunca foi ver, aproveite e vá desta vez, porque garanto que vale a pena.»

amanhã, sábado, a Taça CERS volta a passar pela nossa Aldeia e pelo nosso pavilhão. vinte e um anos depois, aos jogadores é pedida uma vitória e aos adeptos bancadas cheias. porque juntos construímos a história e as memórias do futuro.

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1ª equipa do HCT a participar na Taça CERS – 1992/93
em cima, da esq. para a dir.: António Livramento, Joaquim Francisco, Afonso Vicente, Vicente Moreira, Manuel Evangelista
2ª fila, da esq. para a dir.: Vitor Mano, Sr. Duarte, Fimo, Joaquim Furtado, Dr. Guerra, Siopa
3ª fila, da esq. para a dir.: Davide Coelho, Osvaldo Lourenço, Artur Pereira, Pedro Santos, Afonso Miranda, Tota, José Marinho
em baixo, da esq. para a dir.: Horácio Honório, Tó-Jó, Ruca, Hélder Coelho, Pedro Rodrigues

 

Somos BdQ. Somos d’Aldeia!

a primeira pedra

a Aldeia não é de agora, e se o ditado diz que “em Turquel, cada um ao seu farnel”, o fenómeno dos BdQ em volta do clube conta outra história e pode ser a excepção que confirma a regra ditada pela sabedoria popular.

na década de 1970 enquanto o país mudava, sonhava e construía com um novo futuro, n’Aldeia também se sonhava com um futuro de sucesso para aquele clube que acabou por conquistar todos e dava-se início à construção da casa dos BdQ.

todos juntos, a descer a rua que agora conhecemos como das nogueiras, rumo ao local onde iriam colocar a 1ª pedra do pavilhão do HCT! cortejo para a 1ª pedra
e chegados ao local do pavilhão, na cerimónia de lançamento da 1ª pedra da casa dos BdQ.
pavilhão -lancamento da 1º pedra(fotos via Turquel Antigo em Fotografia)

Somos BdQ. Somos d’Aldeia!

C’est une maison française, certainement!

(É uma casa francesa com certeza!)

É domingo, 26 de Maio, Final da Taça de Portugal, dia de festa no Jamor e em… Trébédan!

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Trébèdan é uma pequena comuna [cerca de 400 habitantes], situada na região francesa da Bretanha, onde reside uma significativa e muito bem integrada, comunidade portuguesa.

A hora do jogo aproxima-se, começam os rituais, e quando se vai buscar o cachecol do Benfica… o do HCT vem atrás e… por momentos, esquece-se o jogo.
Canta-se:
“Sou do Hóquei Clube Turquel e bem alto gritarei, na vitória ou na derrota!”.

A seguir contam-se histórias…
Fala-se da saudade, sempre a saudade, dos amigos com que se rumava ao pavilhão…
Fala-se do que significa a HCT TV para quem está tão longe do nosso pavilhão…
Fala-se das idas ao pavilhão do HC Dinan Quevert (campeão de França), que fica a 11km, para matar as saudades, do hóquei ao vivo
Fala-se dos jogadores que em jogos como o HC Quevert-Física ou HC Quevert-Candelária, vêm até junto da bancada, agradecer o apoio daquele cachecol…

Entretanto o meu Benfica perde a Taça, mas o que é isso comparado com as histórias daquele cachecol?

E regresso a Turquel com a certeza que o cachecol que fica em Trébèdan e todos os outros espalhados por esse mundo fora, ajudam a matar saudades, a encurtar distâncias, a ultrapassar as derrotas e a amar Turquel.

401107_10200434676802654_101677593_npor FilipePS